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riscos_e_rabiscos

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Falta de Presença

                                                           

 

Se pensaram que se tinham visto livres de mim, caros amigos blogueiros, desenganem-se!!!

Se por acaso notaram a minha ausência devo explicar que:

 

1º - Foi fim-de-semana de N. Por isso foi matar saudadinhas (do dono e do cão), e tratar da casinha.

 

2º - Aturar a paixonite aguda do Pimentinha e tentar convecê-lo que aquele caso amoroso não tinha futuro.

 

3º - Matar dois coelhos de uma cajadada só: tratar das encomendas da YRocher para o Natal (sim, porque as ofertas para Natal são baratinhas e esgotam logo) e ver a traquina da minha afilhada.

 

4º -  Tive um bónus extra: o N. ficou cá até segunda-feira. Iupiiii!!!

 

5º - Por fim, graças à dose das minhas substâncias nocivas diárias, deu-me uma moleza e sonolência durante todo o fim de semana, que me toldou as ideias, incapacitando-me de conseguir articular qualquer dedo para escrever uma letrinha…

 

Foram bons motivos, não foram?

 

Paixão Animalesca

 

Pois bem, tenho a dizer-vos que neste fim-de-semana foi vivido um tórrido caso de amor lá em casa. Uma paixão tão grande, tão forte, tão envolvente que o parzinho não conseguia desgrudar um do outro. E sempre qe se separavam, havia gemidos de dor, ansiedade, saudade e tristeza.

 

Foi o que se passou com o meu cão Pimentinha e com… um cão de PELUCHE!!! Não sei se já algúem assistiu a um caso tão grave de paixonite aguda como este… Eu e o N. nunca tinhamos visto!

 

Certa vez, o N. encontrou um cão de peluche fofinho e sedoso que me ofereceu. Quando o Pimentinha o viu, e fazendo jus à sua costela de caniche, morreu de medo do boneco. Nem o podia ver… Fugia com medo!

Passado algum tempo começei a provocar ciúmes no Pimentinha, pegando no peluche ao colo e fazendo-lhe festinhas.

O medo e gelo inicial começou a dar lugar à ousadia e à audácia, e o Pimentinha começou a querer brincar com o peluche. Mas como o peluche não para ir directamente para a boca de um cão, esteve sempre colocado em sítios inalcansáveis, embora o Pimentinha andasse lá a cheirar a ver se lhe chegava.

 

Este fim de semana, o cupido acertou com uma flecha no coração do Pimentinha e o único ser mais aproximado à forma canina ali nas redondezas, era o cão de peluche. Foi sobre ele que recaiu a paixão do Pimentinha.

Demos-lhe o cão para ver o que o bicho fazia. Lambiscou-o todo, cheirou-o agarrou e depois tentou ter um contacto “mais íntimo” com o peluche!!! Epá, isso não…! O N. tirou-lhe o peluche. Coitadinho do Pi – forma abreviada de Pimentinha, como lhe chamamos carinhosamente - , ficou desolado. Andava só a rondar o sofá e gania à espera que o outro fosse ter com ele. Até fazia peninha…

Tivémos que esconder o peluche pois aquele caso de paixão estava a tornar-se realmente “doloroso”. O “pai” N. já não estava a achar piada nenhuma e a “mãe” Pessoinha, estava cheia de pena…

Acham que fui eu que incitei o bicho a ter este caso de paixão arrebatadora?!

 

                           

Estes são os protagonistas da arrebatadora paixão. São tão fofinhos, não são? :)

 

O Sexo Trata-lhe da Saúde!

 

Aproxima-se o fim de semana e com ela a tão ansiada vinda do N. a casa.

O N. quer por força tratar-me da saúde. Já sei que ele só quer o meu bem, tal como eu a ele. Mas é preciso ir com calma…

Entrámos numa discussão acerca de sexo. Dos benefícios das relações sexuais.

 

Como já todos sabem, ando aqui com um grave dilema acerca do meu peso. Ele, preocupado com o assunto, revolveu procurar vias alternativas à cirurgia. Encontrou uma: SEXO! Ele defende a teoria que o sexo tira as dores de cabeça, queima calorias e faz emagrecer.

Ora eu até sou uma moçoila bastante céptica por isso, fui procurar informação. Pois agora espantem-se! Ele até tem… razão! E é tão zeloso que está a ter em conta não só o meu bem estar físico como psíquico ou até monetário…

 

Ora vamos lá a explicações mais claras.

Ponto um: O sexo tira as dores de cabeça.

Será que isto é verdade? Afinal existe a famosa desculpa “hoje não, querido, estou cheia de dores de cabeça…” Será porque o sexo agrava a dor de cabeça ou será que a vontade de sexo é nula? Por outro lado, também podemos pensar que numa relação sexual a circulação sanguínea aumenta e manda a dor de cabeça dar uma volta ao bilhar grande.

A experimentar para averiguar a verdade…

 

Ponto dois: O sexo queima calorias.

Pudera! Com o aquecimento global…! Dois corpos em esforço e fricção só poderia produzir aquecimento.

Se há esforço, produz aquecimento. Se produz aquecimento, há desgaste de energia. Se há desgaste de energia… bye bye calorias!!!

Lemos nós que em cada leva (entenda-se relação sexual), perdemos 200 calorias. Ele propôs que eu perdesse o mínimo de 600 calorias por dia…

 

Ponto três: O sexo faz emagrecer.

Segundo a lógica, assim será! Depois de tanto esforço, ginástica e transpiração, lá se foram as calorias todas!

Assim sendo, já não preciso de ir para nenhum ginásio e poupo uns trocos.

Acusa-me o N. que a culpa da sua abdominocha (tradução: bocha é o mesmo que o famoso pneu, mas para não ferir susceptibilidades uso esta terminologia, inventada por mim, cujo significado é um abdominal mais “desenvolvido”), deve-se a estar de dieta forçada hà 2 meses. E que é por este motivo, também, que eu tou mais pesadinha…  

Não confirmo nem desminto…

 

E agora vou contar-vos mais umas coisas que descobri:

 

- Previne a osteoporose.

Em vez de nos atascarmos de leite e iogurte, vá de fazer sexo com fartura…

 

- Alivia as dores, em geral.

  Já sabes o que te espera N. !

 

- Previne as constipações.

Por esta não esperava! Pessoal, vamos lá a praticar sexo para combater a estirpe da gripe!

 

- Ajuda a dormir!

Fora os comprimidos para dormir! Viva a medicina “natural”! Viva o sexo!

 

“Uma vida sexual activa reduz em 50% o risco de morte.”

 

 

E pronto! Haveria mais para contar mas já chega.

 

... Dois miminhos é melhor ainda!

                                                         

 

 

Recebi mais um miminho da amiga Salpicos de Luz. Assim ainda fico mal habituada...

 

Como ontem distribui outro prémio 5 estrelas por todo o pessoal excepto à amiga lulibel, pois tinha sido ela quem mo atribuiu, hoje deixo este especialmente para o seu blog http://pintastintasemanias.blogs.sapo.pt/.

 

A todos aqueles que se lembraram de mim para me oferecerem estes prémios, o meu muito obrigada!!! :)))

 

Dezassete

                          

 

“O dezassete é tradicionalmente considerado um número aziago, pois um anagrama de seu número romano XVII é VIXI, que em latim significa "eu vivi", ou seja "estou morto". Em alguns países, como na Itália, se diz que a sexta-feira 17 seja um dia aziago, pois Jesus teria morrido justamente em uma sexta-feira.

 Na Cabala, entretanto, o 17 é um número de boa sorte, pois segundo a Gematria, é a soma das letras hebraicas têt (9), waw (6) e bêth (2), que formam a palavra טוב, tôb, que significa "bem". “ (In, Wikipédia)

 

 

Reparei hoje que o número dezassete tem surgido várias vezes na minha vida de há algum tempo para cá. Já deve ter passado mais vezes por mim mas só agora reparei nele.

 

O meu namoro com o N. começou num dia 17. O meu afilhado nasceu dia 17. A minha afilhada nasceu no dia 17. A minha cirurgia foi dia 17. E um raio de luz que me iluminou hoje com algum esperança, também será dia 17.

São muitas ocorrências do mesmo número!

 

No meu caso, não concordo nada que seja um número aziago. Dou razão à cabala pois tudo o que aconteceu num dia 17 foram coisas boas ou trouxeram coisas boas.

 

Fui à minha médica hoje para lhe pedir um atestado de robustez e aproveitei logo para desfiar o rol da minha vida. Afinal ela conhece-me desde sei lá quando.

Depois de lhe contar das minhas maleitas e ela me ter receitado medicação, expus-lhe a minha situação da cirurgia. É claro que eu já sabia qual a resposta dela: “sim, aproveita!”

Desabei em lágrimas – eu sou assim, chorona, pronto! – e disse-lhe que não queria fazer esta cirurgia. Não sei se ela percebeu ou fingiu que não percebeu os meus receios e hesitações.

Entretanto entrou uma das enfermeiras que me tratava da minha “cratera” e encontrou-me debulhada em lágrimas. Ficou estupefacta a olhar para mim e depois perguntou-me “então mas a doutora I. fez-lhe mal?”. Breve explicação do debulhanço em lágrimas.

No final da consulta, a médica disse-me que eu só poderia fazer uma cirurgia daquelas caso estivesse preparada psicologicamente (coisa que nem em sonhos estou!), e que aquela cirurgia era a que se fazia quando se tinha não-sei-o-quê no cólon, e ainda que aquela cirurgia era recente com o objectivo de perder peso, estando numa espécie de fase experimental. E com isto, ainda fiquei mais convencida que a minha opção não é assim tão disparatada.

 

Tinha marcado uma explicação para as 14.30h. Lá fui, eu a muito custo, com uma dor de cabeça descomunal e os olhos vermelhos inchados e vermelhos de tanto chorar. Resumindo, imprópria para consumo. Mas a miúda tinha teste…

Abri o correio. Esperava quilos de publicidade e contas para pagar. Mas no meio disto vinha uma carta do hospital. “Mas que raio! O que é que querem agora?! Será alguma conta para pagar? Mas eu paguei tudo…”, fui falando comigo conforme subia as escadas. Abri a porta, depositei a tralha e fui a correr abrir a carta. Era a marcação de uma consulta no hospital para ir à dietista dia 17 do 12. Estranhei aquilo mas depois percebi, pelo documento que trazia anexo, que tinha sido feito o pedido de marcação no dia da alta da minha fistulectomia. Portanto, não tinha nada a ver com esta proposta de cirurgia.

 

Este rasgo de luz veio trazer-me alguma esperança e alento. No entanto continuo em dúvida se hei-de fazer os exames de preparação para a cirurgia. Acho que se calhar não vale a pena… que se calhar vou primeiro à consulta da dietista, exponho-lhe o caso e logo se vê o que ela diz!

 

 

Em todas as lágrimas há uma esperança”

                                                                      Simone de Beauvoir

 

 

Um miminho é bom...


 

A minha amiga lulibel deixou-me este miminho no seu blog http://pintastintasemanias.blogs.sapo.pt/. Thanks, miguinha!

E os nomeados para este merecido prémio são:

 

http://crises_da_existencia.blogs.sapo.pt/

http://gatopardo.blogs.sapo.pt/

http://luanaeomar.blogs.sapo.pt/

http://salpicosdeluz.blogs.sapo.pt/

http://amadacrisalida.blogs.sapo.pt/

 

 

Vá, quero toda a gente a meter este ursinho no seu blog. O ursinho até é giro e amoroso. E, por acaso, até tenho um ursinho, de pêlo e enchimento, igual a este! Oferecido pelo N. num Dia dos namorados... ou noutro dia qualquer!

Escreveram que se fartaram e esforçaram-se para merecer este prémio que, após uma votação renhida, foi atribuído o blog de vossas excelências! :)))



Vários Comentários dão… um Post!

 

Este post surge para dar resposta a algumas questões levantadas em alguns comentários-

 

Começando pela primeira que é: porquê um bypass em vez de uma banda gástrica. Passo a explicar o que é a banda gástrica: é um anel de silicone colocado na parte superior do estômago e que restringe a passagem dos alimentos. Este anel tem um líquido lá dentro que permite ajustar a banda para regular a passagem dos alimentos.

Segundo os últimos estudos, a banda gástrica, afinal, não está a ter os melhores resultados. O que está a verificar-se é que os doentes que a colocaram, estão a voltar a recuperar o peso. Porquê? Precisamente porque a banda alarga e desloca-se, deixando de provocar a sensação de saciedade o que faz com que os doentes comam mais, aumentando assim de peso novamente. Já para não falar dos doentes que julgam que por terem uma banda podem comer tudo e em grandes quantidades. A banda pode ser retirada se for necessário.

Já perceberam a diferença entre a banda e o bypass? Perceberam a radicalidade e irreversibilidade da cirurgia que me foi proposta?

 

Borboletas no estômago… Borboletas no estômago é uma expressão americana para definir um sentimento engraçado que algumas pessoas têm quando estão apaixonadas, ansiosas, nervosas ou com medo. As boas notícias ou informações interessantes também podem produzir este tipo de sensação. Não é uma sensação desagradável ou de mau-estar. Até é bom sentir-mos as “asas a bater”. Faz-nos sentir que estamos vivos.

 

Mais alguma dúvida? É favor colocar… Next!!!

 

Borboletas e Interrogações

 

Hoje acordei com borboletas no estômago. Não sei bem porquê. Espero que não esteja para acontecer mais nada. Acredito que estas borboletas estejam aqui a bater asas por causa deste dilema que a vida me trouxe neste momento. O que é certo é que elas têm andado a esvoaçar no meu estômago o dia inteiro.

 

Não dormi muito bem esta noite mas não andei sonolenta nem irritada. Só perdi a fome. Eu nunca costumo comer assim que acordo mas hoje a fome desapareceu mesmo. Estava incapaz de engolir o que quer que seja. Talvez porque as borboletas já tinham ocupado todo o espaço.

Acabei por ir ao café beber um (des)café para ver se me dava vontade de comer algo. Mas não resultou.

 

O espectro da cirurgia não me abandona, paira sobre a minha cabeça como se fosse uma guilhotina. Penso e repenso sobre o assunto e não consigo encaixar a ideia de maneira nenhuma.

Recebi mensagens do H. e da M. a dizerem para eu avançar com a cirurgia. Só que eu acho que eles pensavam que esta cirurgia era a da colocação da banda gástrica. Expliquei que não era.

Sei que a irmão da companheira do H. tem uma banda e está maravilhosa e a dar-se optimamente. Por isso é que eu acho que ele achava que era a mesma coisa. Ele está dentro da indústria farmacêutica, a companheira é médica e pode informar-se sobre o assunto.

Acho que com a M. se passou o mesmo. Nenhum dos dois sabem ao certo o que é isto e quais os riscos que acarreta.

 

Acho muito curioso que, com centenas de pessoas que passam pelo meu blog, não tenha surgido um comentário de ninguém a cerca do bypass. Afinal, esta cirurgia não é assim tão invulgar…

Será que não passou por aqui ninguém que conheça ou tenha ouvido falar de outrem que tenha passado por esta cirurgia?

E com tanta gente gordinha em Portugal, não passou por aqui ninguém que lhe tenha sido feita a mesma proposta?

São interrogações às quais nunca saberei responder mas que pairam na minha cabeça.

 

Encontrei uma auxiliar que trabalha na escola onde estive há três anos. Fiquei a saber que a escola está diferente e que muitas das pessoas que lá estavam já não estão. Pediu-me muito para eu lá ir pois estavam com saudades minhas.

É bom saber que, de alguma forma, marcámos alguém e que deixámos saudades…

 

 

P.S. – Não sei se já repararam no elemento novo que coloquei no meu perfil… :)

 

Traçar Objectivos

 

Acordei eram 11.30h. Dei-me a um luxo que já há muito não me dava: Fiquei na cama mais um bocadinho. O meu organismo tem um relógio interno que me faz acordar sempre cedo.

 

Fui desafiada pela minha amiga S. para ir tomar um café. Entre ficar em casa a fazer planificações e materiais para as aulas e tomar um café e trocar dois dedos de conversa, escolhi a segunda opção.

 

Precisava de desabafar sobre a cirurgia do bypass. Interessa-me saber o que as outras pensam do assunto. O que elas fariam caso estivessem numa situação como a minha.

Continuo a defender que esta cirurgia só após ter esgotado todos os recursos.

Sinto-me a viver um pesadelo. Como se tivesse uma guilhotina pendente sobre a minha cabeça.

Cada vez estou mais convicta que a minha resposta a esta cirurgia radical é “NÃO”! Quero arriscar outras hipóteses.

 

Como hão-de calcular, não tenho feito outra coisa nas últimas 48 horas senão pensar sobre este assunto. Não me consigo libertar dele. Apesar de já ter definido na minha cabeça o que quero. Já chorei, já desabafei e já estou farta de pensar sobre o assunto.

 

Como o dia estava bom, eu e a S. rumámos para a costa da Caparica. Estava um dia solarengo e de temperatura agradável.

O mar continuava belo como sempre e disse-me que tinha saudades de mim. Eu respondi-lhe que as saudades que tinha dele eram mais que muitas mas nunca me esquecia dele, do seu cheiro, da sua cor, do seu sabor…

Tomámos o nosso café a contemplar o mar. Deixámo-nos embalar pelo vaivém das ondas. O sol acariciava-nos meigamente através das frestas do toldo.

O mar teve um efeito calmante em mim.

 

Pusemos a conversa em dia. Pensámos e reflectimos sobre os assuntos das nossas vidas que nos atormentam. Ponderei, novamente, sobre a cirurgia. A S. tem a mesma opinião do que eu: cirurgia só em último recurso.

Decidi que iria modificar os meus hábitos alimentares e fazer uma dieta alimentar restrita. Com ou sem ajuda. Tenho de tentar.

Tanto a S. como eu sabemos que uma dieta feita com um controlo apertado dá resultado. Sentimo-lo na pele há uns anos atrás. E não fugimos da linha, por isso, obtivemos excelentes resultados.

 

Vou falar com a minha médica de família e expor-lhe o caso para ver o que ela me aconselha, embora eu já saiba que ela vai defender o bypass. Mas eu vou explicar-lhe como me sinto e o que penso. E mais uma vez vou pedir-lhe ajuda.

Com ajuda ou sem ajuda, agora vai tratar-se de uma batalha pessoal, comigo mesma. A minha força de vontade tem de ser maior do que a tentação. Não vou desistir e quero conseguir!!!

 

“Querer é poder. É a vontade que move montanhas.”

 

Bypass Gástrico: Sim ou Não?

 

Ontem fui à tão esperada consulta para, finalmente, me observarem a famosa “cratera” que agora já não passa de um corte. O essencial está cicatrizado, falta só o corte fechar mesmo.

 

A médica propôs-me fazer um bypass gástrico. Assim, de chofre. Sem propor mais nada. Fiquei atordoada. Nunca nos meus pensamentos mais remotos, me tinha passado esta ideia pela cabeça ou pensado sobre o assunto.

 

De há alguns anos para cá tenho tido problemas de peso. É verdade. E isto reflecte-se na minha autoestima (muitíssimo), embora não seja uma pessoa complexada. Quem gosta de mim, gosta como eu sou. É esta a minha conduta de convivência com todos os seres humanos. Até porque defendo que precisamos todos uns dos outros. Provavelmente até mais do que aquilo que temos consciência.

Não sou um caso extremo de obesidade mórbida, sem desprimor algum por todas aquelas pessoas que têm pesos astronómicos e cujo sofrimento físico e psicológico, eu compreendo perfeitamente e também me identifico. Os obesos são pessoas estigmatizadas pela sociedade embora esta doença esteja em franco desenvolvimento.

 

No meu caso, o que fez a médica propor-me o bypass foi não só o excesso de peso mas também a minha tensão alta, que não é nada crítica pois ela só dispara quando me enervo, as minhas dores nas articulações e o desgaste da cartilagem do joelho. Não tenho diabetes, nem colesterol por mais incrível que vos possa parecer.

Não tenho estrutura óssea para aguentar este “colete de gordura” e o meu corpo começou a queixar-se. Tão simples quanto isto.

Em criança fui sempre uma miúda muito magra. A partir dos 20 anos é que a coisa se começou a complicar um bocadinho. Na minha família não existem obesos, com excepção do meu caso.

 

Não estou preparada para uma medida tão drástica. Talvez se fosse uma banda gástrica não estivesse tão desanimada. Não é que eu não queira emagrecer. Nada disso. O problema é o processo.

Sabiam que o bypass gástrico consiste num corte do estômago para reduzi-lo, sendo depois agrafado a uma parte do intestino para fazer a passagem directa da comida e assim perder quantidades de peso brutais? E se depois corre alguma coisa mal futuramente? E as carências vitamínicas, e respectivas consequências, para o resto da vida? Sabiam que no 1º mês só se “come” líquidos através de uma colherzinha de 5 em 5 minutos? Restrições alimentares impostas até ao fim da minha existência?

Tenho consciência do meu excesso de peso, quero e preciso emagrecer mas não através de uma medida tão drástica. Não estou convencida e não sei se alguma vez estarei…

 

Já pesquisei e li bastantes coisas sobre o assunto. Li vários testemunhos de pessoas que fizeram o bypass e que estão óptimas e dizem maravilhas, li outros em que as pessoas estão ansiosas para fazer a cirurgia. Mas a realidade destas pessoas é, ou era, bem diferente da minha.

Não consigo convencer-me. Tem estado a ser um choque muito grande que ainda me deitou mais abaixo do que já estava. Parece que o mundo desabou em cima de mim… Não foi uma coisa que eu desejasse ou tivesse sequer alguma vez passado pela minha cabeça, percebem? Não foi uma opção minha mas uma proposta alheia.

A única coisa positiva que consegui ver em todo este processo foi a perda de peso. E mesmo assim, com a perda de grande quantidade de peso não é preciso fazer cirurgias plásticas posteriores por causa de elasticidade da pele? A parte negativa sobrepõe-se à positiva.

 

A ajuda que eu preciso é a de corrigir os meus hábitos alimentares e apoio psicológico pois estas coisas das dietas deitam abaixo aqueles que são mais frágeis psicologicamente, como é o meu caso. Isto sim. Esta é a medida que, neste momento penso, ser a correcta para mim…

 

Tenho os exames e as consultas para marcar. A avaliação destes casos tem de ser feita por uma equipa multidisciplinar composta por cirurgião, nutricionista e psiquiatra. Estou disposta a fazer a batelada de exames mas não sei se conseguirei ir até ao fim do processo…

 

 

Se estivessem na minha pele, o que fariam?